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(I am multiple - self portraits in the dusk #4) 2012


ocupar um espaço, antes que seja tarde para o fazer, tornar a ser, antes de sucumbir ao espaço nenhum, antes do logaritmo, antes, antes de tudo.

(I am multiple - self portraits in the dusk #2)

«Watt era também muito naturalmente da mesma cor escura. Esta cor escura era tão escura que não podia ser identificada com certeza. Por vezes parecia uma escura ausência de cor, uma mistura escura de todas as cores, um branco escuro. Mas Watt não gostava das palavras branco escuro, por isso continuava a chamar à sua escuridão uma cor escura, pura e simplesmente, o que estritamente falando não era, ao ver-se que a cor era tão escura que desafiava toda e qualquer identificação.»

Samuel Beckett, 'Watt'
«A nossa vida é esse ataque vindo de fora, por mãos ocasionais, e que, descobrindo-nos que não somos "nós próprios" (com tudo o que, à nossa volta, nos dá essa segurança unitária), nos obriga a reconhecermo-nos "nós outros", "nós múltiplos", conforme as ocasiões e conforme as circunstâncias.»

(I am multiple - self portraits in the dusk #1)


«A nossa realidade é feita da existência virtual que todos temos nos outros e em nós próprios, e só dela. Isso, que me fez estremecer de pânico, deu-me imediatamente uma consciência de liberdade pavorosa: a liberdade humana era exactamente essa virtualidade hipotética que, nos outros e em nós, nos resguarda de sermos. ... E a liberdade era isso, sim, era isso: um corpo absoluto que se tornava, mais que humano, uma coisa mais que coisa; ou a virtualidade total de não sermos senão aquilo que, na virtualidade dos outros, nos dava a realidade de uma irrealidade absoluta também.»

Jorge de Sena, 'Sinais de Fogo'
(I am multiple - self portraits in the dusk #3)

O que se nos oferece com a luz das estrelas, 
o que se nos oferece,
guarda-o como mundo na tua face,
não o tomes de leve.

Mostra à Noite que recebeste calmo
o que ela trouxe.
Só quando de todo para ela passes
a Noite te conhece.

Rainer Maria Rilke