Exhibition Opening - March 8th

"UNBODY", série fotográfica de 2013, está em exposição este mês e ficará até 20 de Abril, na Galeria Municipal de Arte de Almada.


"Autorrepresentações de Mulheres" 

Inauguração da exposição
8 de Março, 21h30


de 9 Março a 20 Abril, 2013 
na Galeria Municipal de Arte de Almada
Av. D. Nuno Álvares Pereira, 74 - A, Almada, Portugal

links do evento:

sonho aparência não-ser

                                                                                                                                                                                      Barcelona, 2013

«Quanto mais me dou conta, nomeadamente na natureza, daqueles impulsos todo-poderosos e neles de um ardente desejo de aparência, tanto mais me sinto impulsionado a adoptar a hipótese metafísica de que o Ser verdadeiro e Uno primordial, enquanto entidade eternamente sofredora e contraditória, necessita simultaneamente, para a sua permanente redenção, da sedutora visão, da deleitosa aparência: essa mesma aparência que nós, completamente presos nela e por ela constituídos, nos vemos obrigados a sentir como sendo o verdadeiro Não-ser, isto é, um constante devir em tempo, espaço e causalidade, por outras palavras, como realidade empírica. Se portanto nos abstrairmos por um momento da nossa própria "realidade", se concebermos a nossa existência empírica e a do mundo em geral, como uma representação do Uno primordial, então o sonho tem de surgir-nos como a aparência da aparência, e assim como uma satisfação da sede primitiva de aparência.» 

Nietzsche, 'O Nascimento da Tragédia'


Com representar el cos d'un astrònom? Com representar el cos del poeta? Com representar el cos del fotògraf? Totes tenen llum en comptes d'ulls.


Organics



I will divide myself between photographic processes, although I must acknowledge my only process is to confirm my own existence.


pages of a diary

"Portrait against the tree", Mariana Castro    +    "The jungle laws of gravity", Sílvio Santana


"Beginnings" 

Todas as respostas fotogénicas à vida reconduzem-me ao princípio, aquele do qual não me recordo, não mais do que às memórias elas próprias aceitando a sua transmutação constante. Confesso que permito e retiro algum prazer dessa alteração e portanto não tenciono detê-la.
Seria mais sério sabê-lo e saber dizê-lo como muitos o escreveram, mas esse lirismo acabaria por soar falso e a recusa do princípio é, de uma forma muito própria, aquilo que nos põe a agir para diante. Uma espécie de felicidade da ignorância, também ela falsa, já que teima em regressar ao ponto primeiro para rectificá-lo depois de muitas permissões, mas em vão, acaba por deliciar-se na permeabilidade que ainda lhes tem. Não há, por isso, qualquer felicidade nisto que sinto e o princípio parece-me tão inconveniente quanto Cioran nos faz crer que é. É, também por isso, que volto a ele, e volto para ele todos os instantes que não vejo porque assim o quis. No fundo, fotografar é não ver, não querer ver, porque algo se detém  entre o que se vê e o olho e a cabeça e o homem.