«Se tocares (puseres as mãos) no vestígio, algo, afastado dali, se sentirá tocado, interrompido no seu percurso, agarrado. Ou ao contrário? Se agarrares o vestígio, aquilo que lhe deu origem aumentará, algures, a sua velocidade?
O relevante, o pressentimento: interferir nos vestígios é interferir na coisa que lhes deu origem.»  

Gonçalo M. Tavares, 'Breves Notas sobre as Ligações'
«A nossa vida é esse ataque vindo de fora, por mãos ocasionais, e que, descobrindo-nos que não somos "nós próprios" (com tudo o que, à nossa volta, nos dá essa segurança unitária), nos obriga a reconhecermo-nos "nós outros", "nós múltiplos", conforme as ocasiões e conforme as circunstâncias.»

(I am multiple - self portraits in the dusk #1)


«A nossa realidade é feita da existência virtual que todos temos nos outros e em nós próprios, e só dela. Isso, que me fez estremecer de pânico, deu-me imediatamente uma consciência de liberdade pavorosa: a liberdade humana era exactamente essa virtualidade hipotética que, nos outros e em nós, nos resguarda de sermos. ... E a liberdade era isso, sim, era isso: um corpo absoluto que se tornava, mais que humano, uma coisa mais que coisa; ou a virtualidade total de não sermos senão aquilo que, na virtualidade dos outros, nos dava a realidade de uma irrealidade absoluta também.»

Jorge de Sena, 'Sinais de Fogo'
(I am multiple - self portraits in the dusk #3)

O que se nos oferece com a luz das estrelas, 
o que se nos oferece,
guarda-o como mundo na tua face,
não o tomes de leve.

Mostra à Noite que recebeste calmo
o que ela trouxe.
Só quando de todo para ela passes
a Noite te conhece.

Rainer Maria Rilke
'women alone in the dark' (series)
























«Acendo a luz num quarto escuro; é um facto que o quarto iluminado já não é o quarto escuro, que perdi para sempre. E no entanto: não será ainda o mesmo quarto? Não será o quarto escuro o único conteúdo do quarto iluminado? Aquilo que não posso ter, aquilo que, ao mesmo tempo, recua até ao infinito e me empurra para diante, não é mais que uma representação da linguagem, o escuro que pressupõe a luz; mas se renuncio a captar esse pressuposto, se volto a atenção para a própria luz, se a recebo ⎯ então aquilo que a luz me dá é o mesmo quarto, o escuro não hipotético. O único conteúdo da revelação é aquilo que é fechado em si, o que é velado  a luz é apenas a chegada do escuro a si próprio.»



Giorgio Agamben, "Ideia da luz", in 'Ideia da Prosa' (Tradução: João Barrento; Cotovia, Lisboa, 1999)

lux aetherna

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A prisão do tempo é aquela onde a luz se esquiva, onde está de passagem. E talvez seja só uma certeza poética (e também a de que ele não exista  não existe no relógio que apanhámos hoje no caminho para casa), que não compreende verdadeiramente o sistema de grandezas. 



Words: Equivalent

Ansel Adams Master Photographers
, BBC series (1983)

QYou're very concerned with mood, obviously...
Ansel Adams: Well, that's part of the visualization, the aesthetics. Aesthetic in emotional statement. I think it might be helpful to you to quote that Stieglitz statement, when someone asked him:
"Stieglitz, we don't understand this talk about creative photography and creativity, with a mechanical medium. How do you make a creative photograph?" ― And he replied that he was interested to "go out in the world with his camera, he'd become across something that excited him emotionally, spiritually and aesthetically" ― forget all those words, they don't mean much, they're just symbols of something much deeper - "and I see the picture in my mind's eye. I make the photograph and I give you the print as the equivalent of what I saw and felt." ― And that word equivalent is really profound because it is the equivalent of two things: what he saw and what he felt about it.




Pas du Langage


«Tout est impliqué, tout est compliqué, tout est signe, sens, essence. Tout existe dans ces zones obscures où nous pénétrons comme dans des cryptes, pour y déchiffrer des hiéroglyphes et des langages secrets.
«Il n'existe pas des choses ni d'esprits, il n'y a que des corps: corps astraux, corps végétaux… La biologie aurait raison, si elle savait que les corps en eux-mêmes sont déjà langage. Les linguistes auraient raison s'ils savent que le langage est toujours celui des corps. Tout symptôme est une parole, mais d'abord toutes les paroles sont des symptômes.»


Gilles Deleuze, 'Proust et les Signes'



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