Dealing with still lifes

film strip of a new serie (with M., 2012) 


Se me doo às imagens elas correm por mim, inundam-me os pulmões e rasgam-me a pele de dentro a que chamam tecido. Primeiro o tecido do ar, depois o tecido do sangue, por fim o da palavra. E eu desembrulho-me sem direcção, sem a fala que me dá o rosto, o meu, em todos os destinos, um rosto sem rosto ou hierarquia, indivisível no corpo sem voz. 
Se procuro a voz, emudeço. Gelo e não respiro, sou olhar.





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Quel est le but de l'art?

Parece que os lunáticos, os que sonham, estão sempre mais acordados do que os outros.


Film Socialisme, JLG

de sombra e pedra





A imagem é dele, mas a minha nele, por mim retalhada como, aliás, tenho o cuidado de fazer sempre.
«O que me seduz é esta figura extra-humana que se entranhou em mim, numa hora excepcional, para aplaudir ou reprovar as minhas acções e os meus pensamentos; sobretudo os meus pensamentos, porque as acções pouco valem. Não pecar por obras é fácil. Não custa deixar de roubar ou de matar. Quem não é ladrão e assassino em pensamento? A alma comete crimes que o corpo não se atreve a praticar. A alma é a sombra que o corpo emite para dentro. Quer escondê-la. A sombra que projectamos sobre a terra é uma vaga figuração ilusória e inofensiva: a imagem dum tigre num espelho.»


 Teixeira de Pascoaes, 'O Bailado'

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The numbers get lost and this blog starts where another ends. Yes, indeed, I've been in a flow state. Now I've moved to this other room, into another scene, where a new (photographically but also written) storyline begins.