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«A nossa vida é esse ataque vindo de fora, por mãos ocasionais, e que, descobrindo-nos que não somos "nós próprios" (com tudo o que, à nossa volta, nos dá essa segurança unitária), nos obriga a reconhecermo-nos "nós outros", "nós múltiplos", conforme as ocasiões e conforme as circunstâncias.»

(I am multiple - self portraits in the dusk #1)


«A nossa realidade é feita da existência virtual que todos temos nos outros e em nós próprios, e só dela. Isso, que me fez estremecer de pânico, deu-me imediatamente uma consciência de liberdade pavorosa: a liberdade humana era exactamente essa virtualidade hipotética que, nos outros e em nós, nos resguarda de sermos. ... E a liberdade era isso, sim, era isso: um corpo absoluto que se tornava, mais que humano, uma coisa mais que coisa; ou a virtualidade total de não sermos senão aquilo que, na virtualidade dos outros, nos dava a realidade de uma irrealidade absoluta também.»

Jorge de Sena, 'Sinais de Fogo'
(I am multiple - self portraits in the dusk #3)

O que se nos oferece com a luz das estrelas, 
o que se nos oferece,
guarda-o como mundo na tua face,
não o tomes de leve.

Mostra à Noite que recebeste calmo
o que ela trouxe.
Só quando de todo para ela passes
a Noite te conhece.

Rainer Maria Rilke
'women alone in the dark' (series)
























«Acendo a luz num quarto escuro; é um facto que o quarto iluminado já não é o quarto escuro, que perdi para sempre. E no entanto: não será ainda o mesmo quarto? Não será o quarto escuro o único conteúdo do quarto iluminado? Aquilo que não posso ter, aquilo que, ao mesmo tempo, recua até ao infinito e me empurra para diante, não é mais que uma representação da linguagem, o escuro que pressupõe a luz; mas se renuncio a captar esse pressuposto, se volto a atenção para a própria luz, se a recebo ⎯ então aquilo que a luz me dá é o mesmo quarto, o escuro não hipotético. O único conteúdo da revelação é aquilo que é fechado em si, o que é velado  a luz é apenas a chegada do escuro a si próprio.»



Giorgio Agamben, "Ideia da luz", in 'Ideia da Prosa' (Tradução: João Barrento; Cotovia, Lisboa, 1999)

lux aetherna

this photo was left out of the series Lux Aetherna (2012) - visit www.marianacastro.tk to view it



A prisão do tempo é aquela onde a luz se esquiva, onde está de passagem. E talvez seja só uma certeza poética (e também a de que ele não exista  não existe no relógio que apanhámos hoje no caminho para casa), que não compreende verdadeiramente o sistema de grandezas. 



Dealing with still lifes

film strip of a new serie (with M., 2012) 


Se me doo às imagens elas correm por mim, inundam-me os pulmões e rasgam-me a pele de dentro a que chamam tecido. Primeiro o tecido do ar, depois o tecido do sangue, por fim o da palavra. E eu desembrulho-me sem direcção, sem a fala que me dá o rosto, o meu, em todos os destinos, um rosto sem rosto ou hierarquia, indivisível no corpo sem voz. 
Se procuro a voz, emudeço. Gelo e não respiro, sou olhar.





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